quarta-feira, março 4, 2026

O hit é de quem? Quando o algoritmo canta, a música perde a alma?

Leitura obrigatória

Lorena Santana
Lorena Santana
Jornalista, baiana e apaixonada por contar histórias.

A arte acompanha a humanidade desde os primeiros passos; é a nossa forma poética de expor sentimentos e fragilidades. Entre todas as formas de expressão, a música é, talvez, a mais visceral, aquela que o público não apenas ouve, mas sente.

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No entanto, a ascensão da Inteligência Artificial nos impõe uma pergunta incômoda: se a música sempre foi sobre a experiência humana (como a dor de uma traição, a euforia do amor, a raiva da injustiça, o prazer de uma paixão…) como lidar com uma melodia que nasce de um processador? A IA não sente, ela processa dados. E é nesse abismo entre o algoritmo e a alma que o cenário musical atual começa a se transformar.

Não estamos mais falando de previsões futuristas. Fenômenos como as cantoras virtuais Marani Maru e Tocanna, ambas criadas inteiramente por algoritmos, são provas reais de que a IA já está revolucionando o consumo musical.

Outro exemplo marcante é o sucesso de “Sina de Ofélia”, música gerada por IA que estourou nas redes sociais ao simular vozes conhecidas, gerando uma onda de videoclipes criados por fãs.

@videosballa

A sina de Ofélia – música nova Luisa Sonza lançamento Luisa Sonza #ia #ofélia #sinadeofélia #luisasonza #musica

♬ som original – Nelson Balla 🪬 🍬

Esse cenário acende um alerta imediato: até onde a tecnologia pode ir sem apagar o artista? E, no meio desse turbilhão, como ficam os direitos autorais de vozes que, embora digitais, soam tão humanas? Bom, todo esse dilema é novo e, com certeza, ainda trará muitas discussões.

Mas, afinal, o que ouvimos hoje é um “resumo” de tudo o que já fez sucesso. A IA aprendeu o que nos agrada, mas será que ela consegue nos surpreender?

No fim das contas, um algoritmo pode compor sobre um coração partido, mas ele nunca saberá o que é sentir essa dor. Será que, no futuro, vamos nos importar se quem canta sobre uma desilusão amorosa já viveu, de fato, essa sensação? Ou o que importa é apenas ser “hit”? Bom, isso são cenas dos próximos capítulos…

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