Nos últimos anos, o feed do Instagram tem acumulado relatos de pessoas que usaram as famosas “canetas emagrecedoras”. A promessa é emagrecer de forma rápida e eficiente, mas será que essa é realmente a escolha ideal para todo mundo?
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O influenciador Estevam Pelo Mundo compartilhou em suas redes sociais o efeito de envelhecimento facial após o emagrecimento provocado pelo uso do medicamento Mounjaro. Ele também mostrou os diversos tratamentos estéticos aos quais foi submetido na tentativa de recuperar sua feição antiga.
O caso acende um alerta: quem deve utilizar esse tipo de medicamento e quais cuidados são necessários para evitar efeitos colaterais?
Para esclarecer os riscos do uso dessas medicações sem o devido rigor, conversamos com a médica endocrinologista Dra. Maria de Lourdes Lima, diretora da SBEM Regional Bahia.
Afinal, a culpa é do remédio?
Muitos acreditam que o envelhecimento facial seja um efeito colateral direto de medicamentos como Ozempic e Mounjaro, mas a Dra. Maria de Lourdes esclarece que a causa é outra.

“Não é o medicamento que leva ao aspecto envelhecido. Qualquer perda de peso acentuada em um curto período de tempo pode ocasionar isso”, afirma.
Segundo a especialista, não há efeito direto da medicação sobre a gordura da face. O que acontece é que, ao perder peso muito rapidamente, a estrutura que sustenta a pele diminui, favorecendo a flacidez.
O perigo da automedicação
O uso das “canetas” por pessoas que desejam perder apenas “alguns quilinhos” é um dos pontos de maior preocupação. A médica explica que as indicações são claras: pacientes com diabetes, obesidade ou com IMC acima de 27, associado a alterações como glicemia elevada, dislipidemia, hipertensão ou esteatose hepática, entre outras comorbidades.
Quem utiliza a medicação sem indicação clínica se expõe a riscos desnecessários.
“Há risco de desidratação, vômitos, diarreia e desnutrição por uso inadequado, além da progressão incorreta das doses”, alerta.
Como evitar o envelhecimento facial?
Para quem tem indicação médica, o aspecto “caído” do rosto não precisa ser uma consequência inevitável. Segundo a endocrinologista, o acompanhamento multiprofissional faz toda a diferença.

“Com o ajuste da dieta para evitar uma perda de peso muito rápida e com a orientação de um nutricionista para o consumo adequado de proteínas, é possível minimizar esse efeito”, garante.
A medicação, portanto, não é a vilã da história. Para o público correto, ela é uma alternativa segura e eficaz. O problema está no uso indevido, sem orientação e acompanhamento médico adequados.




