terça-feira, março 3, 2026

ONG traz novo significado ao puerpério através do cinema

O movimento que transforma salas de cinema em espaços de acolhimento para provar que a maternidade real não precisa ser vivida no exílio.

Leitura obrigatória

A chegada de um filho transforma radicalmente a vida de uma mulher. Mas essa metamorfose não pode se tornar um exílio. Frequentemente, a sensação é de que o mundo lá fora não oferece espaço para a nova rotina. Muitas mães desistem do lazer por falta de ambientes que acolham a vulnerabilidade do puerpério e as necessidades de um bebê.

LEIA TAMBÉM: Isabelle Abreu revela diagnóstico de transtorno afetivo bipolar e pede apoio aos seguidores.

O projeto CineMaterna nasceu dessa urgência. A ONG transforma o cinema em um território de inclusão, onde o acolhimento e a diversão ocupam a mesma fileira. O projeto foi idealizado por Irene Nagashima em 2008. Cinéfila e mãe. Irene sentiu na pele a saudade de uma simples ida ao cinema, enquanto agora, possuía um bebê nos braços. O que começou com um grupo pequeno cresceu e se tornou um movimento nacional, mantendo até hoje o café com bate-papo após as sessões, um respiro necessário para ressignificar a maternidade através da cultura.

Nas sessões, o ambiente é milimetricamente adaptado. O volume é reduzido e as luzes ficam levemente acesas para não assustar os pequenos. O ar-condicionado é ajustado para um conforto térmico real, enquanto trocadores e tapetes emborrachados garantem a logística do cuidado dentro da sala. É um espaço onde o choro não é motivo de julgamento, e voluntárias oferecem suporte durante toda a exibição.

ONG traz cinema para as mães
GNC Balneário Shopping, Balneário Camboriú (SC). Foto: CineMaterna

Participar é simples e exige apenas atenção ao calendário. As sessões são mensais e os filmes são escolhidos pelo público em enquetes semanais no site da ONG. Geralmente, as votações ocorrem de quinta a domingo. No portal oficial (cinematerna.org.br), é possível filtrar os shoppings participantes por região. Um incentivo extra: as primeiras dez famílias com bebês de até 18 meses costumam ganhar ingressos cortesia na porta da sala. É a democratização da cultura, feita de mães para mães.

O CineMaterna veio para provar que a maternidade não precisa ser um ponto final na vida social e cultural da mulher. Ocupar uma sala de cinema com um bebê no colo é um ato de coragem em uma sociedade que ainda tenta invisibilizar o cuidado. Quando as luzes se apagam e a projeção começa, o que se vê é a retomada de um espaço de direito. O filme continua, e a vida também.

- Advertisement -spot_img

Mais artigos

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Advertisement -spot_img

Mais recente