Por Clara Barreto
Segundo o cantor, a mãe manteve uma vida ativa até pouco tempo atrás. “Até os 100 ela cuidou do meu sítio”, contou o cantor, destacando a disposição e a autonomia que a mãe, Beita, preservou durante décadas. Hoje, no entanto, a realidade é diferente.
“Agora, com 103, ela não funciona mais. Tem dias que ela não me reconhece, que ela olha para mim e fala: ‘Quem é você?’. E eu digo: ‘Sou o Ney, mãe’”, revelou, em um dos trechos mais sensíveis da entrevista.
O relato rapidamente repercutiu nas redes sociais e gerou uma onda de comentários emocionados. Internautas destacaram a sinceridade do artista ao abordar um tema delicado e comum a muitas famílias: o envelhecimento e a perda gradual da memória.
“É uma dor silenciosa que muita gente vive”, escreveu uma seguidora. “Que ele tenha força para lidar com isso”, comentou outro usuário. Muitos também compartilharam experiências pessoais semelhantes, criando um espaço de identificação e acolhimento nos comentários.
A fala de Ney expõe uma realidade marcada pela chamada “inversão de papéis”, quando os filhos passam a assumir os cuidados dos pais idosos. O cantor demonstrou sensibilidade ao tratar do assunto, reforçando que, apesar das dificuldades, o vínculo afetivo permanece intacto. Mesmo diante dos esquecimentos, o gesto de se reapresentar à mãe carrega simbolismo e afeto — um retrato da dedicação e do carinho que atravessam gerações.
Aos 83 anos, Ney Matogrosso segue ativo na carreira e nos palcos, mas mostrou que, fora dos holofotes, enfrenta desafios comuns a tantas famílias brasileiras. Seu depoimento trouxe visibilidade a um tema delicado e reforçou a importância do cuidado, da paciência e do amor no processo de envelhecimento.




