A Páscoa se aproxima e, com ela, a tradição de presentear com ovos de chocolate. Criada na Europa entre os séculos XVIII e XIX, a prática teve início com a troca de ovos de galinha decorados, símbolo de vida. Empresas como a Cadbury popularizaram os ovos de Páscoa como conhecemos hoje.
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Um bom ovo de Páscoa é, tradicionalmente, redondo e bem produzido, com chocolate doce e cremoso. Mas será que o que se vende hoje pode ser, de fato, considerado chocolate?

Especialistas vêm alertando para a escassez de cacau no mundo, o que tem levado empresas do setor a buscar alternativas para manter a produção. Em muitos casos, isso significa reduzir a quantidade de cacau e substituí-lo por outros ingredientes.
Segundo a nutricionista Simone Spadaro, em entrevista à CNN Brasil, quanto menor a quantidade de cacau, pior tende a ser a qualidade nutricional do produto. A adição excessiva de açúcar e gordura contribui para tornar o chocolate mais calórico e menos nutritivo.
“Por outro lado, chocolates com maior teor de cacau (entre 50% e 70%) geralmente possuem menor quantidade de açúcar e maior poder de saciedade”, afirma. “Ainda assim, é importante destacar que o chocolate continua sendo um alimento calórico e deve ser consumido com moderação.”
Em março deste ano, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que estabelece porcentagens mínimas de cacau em produtos derivados, como chocolate e cacau em pó. Para chocolates em geral, mantém-se o mínimo de 35% de sólidos de cacau, e a quantidade de gordura vegetal não deve ultrapassar 5%.

No caso do chocolate ao leite, a nova regra determina que pelo menos 25% do produto seja composto por sólidos de cacau. Pesquisas realizadas pelo CENA (Centro de Energia Nuclear na Agricultura) analisaram mais de 200 amostras e identificaram que, em diversos casos, os níveis estavam abaixo do permitido.
Com as novas regras, fabricantes de produtos à base de cacau deverão se adequar às exigências. O projeto prevê sanções para quem descumprir a legislação, e a indústria terá um prazo de 360 dias para se adaptar.
Nutricionistas recomendam que consumidores optem por ovos de Páscoa com, no mínimo, 50% de cacau sendo 70% o ideal. Também é importante verificar a quantidade de açúcar e gordura na lista de ingredientes.




