terça-feira, março 3, 2026

Anti-doomscrolling: tendências de resiliência e valorização dos pequenos momentos ganham espaço nas redes

Dados indicam que a exposição contínua a conteúdos negativos afeta diretamente o bem-estar emocional e pode comprometer a saúde mental a longo prazo

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Lucas Lissa
Lucas Lissa
Formado em Jornalismo pelo Centro Universitário FMU | FIAM–FAAM e pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela Universidade de São Paulo, Lucas Lissa transita com naturalidade entre diferentes linguagens do campo comunicacional.Sua trajetória inclui passagens por assessoria de imprensa, jornal impresso, rádio, revista, portais de notícias e gestão de mídias sociais, experiências que moldaram sua escrita analítica e seu olhar atento às transformações da cultura e do comportamento digital.Com interesse particular na construção de narrativas contemporâneas e na mediação entre informação e público, atua na produção de conteúdo com foco em clareza, profundidade e relevância editorial.

O consumo excessivo de notícias negativas, conhecido como doomscrolling, tem sido associado ao aumento de sintomas de ansiedade e depressão. Estudos conduzidos por Shabahang, publicados na plataforma Science Direct, indicam que esse hábito pode atuar como uma espécie de “trauma indireto”, além de contribuir para o desenvolvimento do vício digital.

Crédito: @simonegiertz

Segundo a pesquisa, pessoas que consomem compulsivamente conteúdos negativos apresentam maior propensão ao desgaste emocional, à dificuldade de concentração e à sensação constante de insegurança. De acordo com o levantamento, “os dados indicam que a exposição contínua a conteúdos negativos afeta diretamente o bem-estar emocional e pode comprometer a saúde mental a longo prazo”.

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A prática ganhou ainda mais força durante a pandemia, período em que o isolamento social intensificou o tempo de permanência diante das telas. Em 2020, o termo doomscrolling foi eleito uma das palavras do ano pelo Dicionário Oxford, refletindo um comportamento cada vez mais comum no ambiente digital.

Tendências para evitar o doomscrolling tem acontecido nas redes

Sem tradução exata para o português, o termo se refere ao ato de rolar a linha do tempo por longos períodos, mesmo diante de informações cada vez mais alarmantes. Algumas adaptações literais sugerem expressões como “rolagem da desgraça” ou “rolagem do juízo final”.

Ao longo desta reportagem, o termo anti-doomscrolling é utilizado para se referir a práticas e tendências que buscam reduzir os impactos emocionais do consumo excessivo de notícias negativas.

Como resposta a esse cenário, surgem movimentos que estimulam uma relação mais equilibrada com o ambiente digital. Essas práticas ganham destaque, principalmente entre os jovens, ao incentivar hábitos mais saudáveis no uso das redes sociais.

Foto: Freepik

Entre as principais tendências, destacam-se o Hopecore e o Wellness, que se popularizaram no TikTok e no Instagram como alternativas à pressão por vidas perfeitas e à necessidade constante de performance.

O Hopecore se caracteriza por conteúdos com trilhas sonoras calmas, frases inspiradoras, cenas de animais, gestos de gentileza e registros da beleza do cotidiano. A proposta é reforçar sentimentos de esperança, empatia e conexão humana.

Já o Wellness está associado à valorização do autocuidado e da qualidade de vida. Práticas como meditação, yoga, alimentação equilibrada, contato com a natureza e momentos de pausa fazem parte desse movimento, frequentemente resumido na expressão “o novo luxo é cuidar de si”.

Para a psicóloga Karen Vogel, em entrevista à Folha de S.Paulo em 2024, a tendência se popularizou porque a busca por conteúdos positivos é uma forma de satisfazer a necessidade do cérebro por prazer e bem-estar, especialmente diante do cansaço provocado pela negatividade online, pelas notícias ruins e pelos discursos de ódio.

Essas tendências refletem uma mudança no comportamento digital, que prioriza o equilíbrio emocional e a autenticidade. Em vez de exibir rotinas idealizadas, muitos criadores têm apostado em conteúdos mais próximos da realidade.

Vogel, que também é professora na The School of Life – organização global voltada ao desenvolvimento do autoconhecimento -, recomenda consumir esse tipo de conteúdo com parcimônia.

“Usamos muito as redes sociais para fugir do tédio, para escapar de sensações que não queremos enfrentar. Embora a positividade seja linda, é importante não esquecer que o sofrimento faz parte da vida. Mas, ao mesmo tempo, nosso corpo precisa de prazer, de estímulos positivos e de coisas boas”, afirma.

As projeções para este e os próximos anos indicam a permanência dessas práticas voltadas à longevidade, sustentabilidade e bem-estar. Além disso, cresce o uso dos chamados “carrosséis estilo micro-vlog”, que mostram pequenos momentos do dia a dia, reforçando uma estética mais espontânea e menos artificial.

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