terça-feira, março 3, 2026

Janeiro Branco e saúde mental em tempos de redes sociais

Mais de 60% dos influenciadores digitais afirmam que já mudaram a forma de encarar a relação entre internet, redes sociais e saúde mental. O dado reflete um movimento crescente de reflexão sobre os impactos da vida digital no bem-estar emocional

Leitura obrigatória

Lucas Lissa
Lucas Lissa
Formado em Jornalismo pelo Centro Universitário FMU | FIAM–FAAM e pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela Universidade de São Paulo, Lucas Lissa transita com naturalidade entre diferentes linguagens do campo comunicacional.Sua trajetória inclui passagens por assessoria de imprensa, jornal impresso, rádio, revista, portais de notícias e gestão de mídias sociais, experiências que moldaram sua escrita analítica e seu olhar atento às transformações da cultura e do comportamento digital.Com interesse particular na construção de narrativas contemporâneas e na mediação entre informação e público, atua na produção de conteúdo com foco em clareza, profundidade e relevância editorial.

O uso excessivo das redes sociais tem levado usuários à comparação constante, resultando em sentimentos de inadequação, ansiedade e estresse. Influenciadores, que estão na linha de frente da produção de conteúdo, têm abordado cada vez mais o tema. Nesse contexto, o Janeiro Branco surge como uma oportunidade para ampliar o debate sobre expectativas irreais construídas a partir do consumo digital.

LEIA TAMBÉM: Isabelle Abreu revela diagnóstico de transtorno afetivo bipolar e pede apoio aos seguidores

Levantamento realizado pela Opinion Box em parceria com a Ter.a.pia mostra que 94% das pessoas entrevistadas utilizam redes sociais, ao menos ocasionalmente. Entre os respondentes, 67% são influenciadores digitais, e 62% afirmam ter repensado sua relação com a saúde mental.

Entre os principais impactos apontados estão a comparação com outros usuários e o sentimento de inadequação, que podem desencadear quadros de ansiedade e estresse.

Para a médica intensivista e paliativista Carol Sarmento, idealizadora do Projeto Cuida, o excesso de estímulos faz parte da dinâmica da vida moderna.

A vida pode ser comparada a uma panela de pressão. Se não diminuirmos a tensão interna, a gente explode, deixa de funcionar adequadamente”, afirma. “As redes são um simulacro da vida real. O sucesso de qualquer projeto é mais lento e exige paciência. O que funciona para uma pessoa não necessariamente funciona para outra”, completa.

Segundo especialistas, manter uma relação saudável com as redes exige atitudes conscientes. Filtrar conteúdos, deixar de seguir perfis que provocam comparação excessiva, limitar o tempo de tela e desativar notificações são medidas recomendadas por campanhas do Janeiro Branco.

Dados da Opinion Box e da Ter.a.pia indicam que oito em cada dez usuários deixam de seguir influenciadores que banalizam temas ligados à saúde mental. O resultado revela uma demanda por conteúdos mais responsáveis e humanizados.

A pressão exercida pelas redes pode afetar tanto a vida pessoal quanto profissional. Por isso, a busca por acompanhamento psicológico é considerada uma estratégia importante para lidar com os impactos emocionais do ambiente digital.

Criado para combater o tabu em torno da saúde mental, o Janeiro Branco reforça que cuidar da mente não é luxo, mas uma necessidade. Segundo o Centro de Valorização da Vida (CVV – 188), influenciadores e profissionais que atuam na internet podem contribuir para esse processo ao humanizar narrativas, combater a cultura da perfeição, incentivar pausas, promover o off-line e divulgar redes de apoio.

- Advertisement -spot_img

Mais artigos

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Advertisement -spot_img

Mais recente