O influenciador Júlio Mamute (@mamuteofficial) voltou a mobilizar seus seguidores após relatar que teve a inscrição recusada por uma academia situada em Santo André, no ABC Paulista. Segundo ele, a negativa teria ocorrido por causa de sua obesidade, mesmo após realizar uma aula experimental de natação no local e afirmar que tinha condições de participar das atividades com segurança.
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Em vídeo publicado nas redes sociais no dia 23 de janeiro, Júlio contou que procurou a academia após o fechamento do espaço onde costumava nadar, atividade que ele aponta como fundamental em seu processo de emagrecimento. “Dos mais de 100 quilos que já emagreci, pelo menos 80 foram exclusivamente nadando”, afirmou. Ainda assim, segundo o influenciador, recebeu uma ligação informando que a academia não poderia aceitar sua matrícula.
No relato, Julio disse que não reagiu de forma exaltada, mas que a situação o afetou emocionalmente. “Não chorei, mas senti, de certa forma, vergonha”, afirmou, ao questionar se espaços que promovem saúde deveriam julgar ou selecionar quem está tentando mudar de vida. Ele também destacou que o local tinha estrutura adequada, piso antiderrapante e fácil acessibilidade, apontando apenas a saída da piscina como um ponto que exigiria mais esforço, algo que, segundo ele, conseguiria realizar.
Na legenda da publicação, o influenciador ampliou o desabafo e levantou um questionamento mais amplo. “Até onde vai o limite na recusa de serviços para quem está fora do padrão?”, escreveu, afirmando que decidiu compartilhar o episódio por ter prometido mostrar não apenas avanços, mas também os momentos difíceis de sua jornada. Julio também destacou que, apesar de seguir em frente, se preocupa com o impacto de situações como essa em pessoas que não têm o mesmo suporte emocional.
Com a repercussão do caso, outros relatos passaram a circular nas avaliações públicas da academia no Google. Entre eles, mães de crianças com transtorno do espectro autista relataram dificuldades para efetivar matrículas em aulas de natação. Uma delas afirmou que, após uma aula experimental considerada positiva, deixou de receber retorno da academia e foi orientada a contratar um atendimento particular, sem explicações técnicas claras. “O que aconteceu conosco doeu muito, mas foi um livramento”, escreveu.
Outro depoimento, também publicado na plataforma de avaliações, apontou falta de resposta e despreparo para atender crianças atípicas. “Inclusão não é favor, é obrigação”, afirmou a autora do comentário, ao relatar frustração com a ausência de retorno após tentativas de contato com a academia.
Diante da repercussão, a academia Horizon publicou uma nota de esclarecimento em seu perfil no Instagram (@academiahorizon). No comunicado, a direção afirmou que a decisão de não dar continuidade à matrícula foi motivada por questões de segurança e pelas condições atuais da estrutura, negando qualquer relação com preconceito. A academia também lamentou o desconforto causado, pediu desculpas por possíveis mal-entendidos e repudiou ataques direcionados à equipe, afirmando que tomará medidas legais caso as ofensas continuem.
Nas redes sociais, o episódio ultrapassou o caso individual e se transformou em um debate mais amplo sobre acesso, inclusão e os limites entre segurança, estrutura e discriminação em espaços voltados à saúde e ao esporte. Para muitos seguidores de Júlio Mamute, o relato reforça que a luta contra a obesidade não se restringe à balança, mas também às barreiras sociais enfrentadas por quem tenta mudar de vida.




