terça-feira, março 3, 2026

Bad Bunny no Super Bowl e no Brasil: um fenômeno global que ainda engatinha por aqui

Depois de uma performance histórica no maior evento esportivo dos EUA e números astronômicos no streaming, o artista porto-riquenho enfrenta barreiras culturais e de mercado para conquistar o público brasileiro.

Leitura obrigatória

Por Clara Barreto
O Super Bowl, um dos eventos televisivos de maior audiência no mundo, apresentou Bad Bunny como um dos nomes mais relevantes da música pop global neste início de década. A apresentação no palco principal, marcada por energia, estética latina e um repertório que mistura reggaeton, dembow e influências caribenhas, foi celebrada internacionalmente e repercutiu fortemente nas redes sociais.

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Com quase 20 bilhões de reproduções no Spotify no ano passado, o porto-riquenho foi o artista mais ouvido do serviço global, e o álbum Debí Tirar Más Fotos liderou diversos rankings ao redor do planeta. A faixa DtMF ficou entre as músicas mais tocadas do mundo em 2025.

@efemaciel benito álbum del año 🇵🇷😭🤍🪑#badbunny #dtmf #puertorico #grammy #fyp @Bad Bunny ♬ DtMF – Bad Bunny

No Brasil, porém, o cenário é diferente. Nem o cantor, nem o álbum ou os singles figuraram entre as músicas mais executadas no país, segundo dados da plataforma de streaming.

Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que o Brasil ainda é um mercado predominantemente nacional, com cerca de 75% do consumo em streaming dedicado a artistas brasileiros, uma realidade que dificulta a entrada de nomes latinos, mesmo quando são fenômenos em outras regiões.

Bad Bunny, apesar da projeção global, apareceu no ranking semanal do Spotify no Brasil apenas 11 vezes, na 83ª colocação. Além disso, a barreira linguística é um fator relevante: ao contrário do inglês, já assimilado por parte expressiva do público brasileiro, o espanhol ainda encontra resistência fora de nichos urbanos ou mais conectados às tendências latinas. Algo que impacta diretamente o consumo de músicas em espanhol no país.

Bad Bunny tenta alcançar público brasileiro

Apesar disso, pesquisadores afirmam que existe grande proximidade entre os ritmos. O reggaeton caribenho e o funk brasileiro compartilham raízes na diáspora africana e no hip-hop, o que cria um terreno cultural fértil para influências mútuas.

Segundo o etnomusicólogo Felipe Maia, “funk e reggaeton são primos, porque ambos vêm do bojo do hip-hop e do encontro com tradições africanas”. Maia acrescenta que, se Bad Bunny fosse brasileiro, possivelmente seria funkeiro — uma forma simbólica de afirmar que as essências musicais têm mais semelhanças do que se imagina.

Um dos sinais mais claros de que o cantor começa a entrar no radar de parte do público brasileiro vem das redes sociais. Conteúdos como o vídeo de uma influenciadora (@elizefleury), que ensina a “imitar o estilo de cantar” do artista, viralizaram no Instagram, e geraram comentários em espanhol, que contaram com a participação de brasileiros em uma conversa cultural que ultrapassa as fronteiras geográficas e linguísticas.

Esse tipo de repercussão espontânea ajuda a derrubar barreiras e a ensinar, de maneira leve, elementos de um universo latino que muitos brasileiros ainda começam a descobrir agora. Mais do que números de streaming, são as narrativas culturais que conectam públicos.

Bad Bunny tem shows marcados em São Paulo na próxima semana, e a expectativa não se restringe à performance em si, mas ao impacto que ele pode gerar no público local. Embora a audiência brasileira ainda esteja mais acostumada a ritmos nacionais, a presença física do artista, somada à força das redes sociais, pode impulsionar o reconhecimento e torná-lo mais familiar para um público que, até então, o conhecia principalmente pelas tendências globais.

Culturalmente, como argumenta um editor do Spotify, “a ideia de ser latino era distante para os brasileiros, mas agora as semelhanças nas ruas, costumes e celebrações aproximam as pessoas”. Talvez seja nessa convergência cultural que Bad Bunny encontre, enfim, o espaço de destaque que merece, também aqui no Brasil.

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