terça-feira, março 3, 2026

Do interior para o feed: a história da “academia da roça” que conquistou a internet

Entre equipamentos improvisados e rotina rural, Miguel, um jovem de apenas 13 anos, transforma a chamada academia da roça em um dos treinos mais comentados das redes.

Leitura obrigatória

Hélio Costa
Hélio Costa
Advogado, empresário e colunista do Algoritmo

Publicações fitness nas redes sociais costumam remeter a academias modernas, aparelhos caros e corpos esculpidos sob luz profissional. Nos últimos meses, porém, um perfil passou a chamar atenção justamente por seguir o caminho oposto, ao apresentar a chamada “academia da roça”.

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Entre plantações, blocos de concreto e equipamentos improvisados, o influenciador Miguel, conhecido no Instagram como @miguelsonzatibulo, transformou a rotina na roça em um dos conteúdos de treino mais comentados do momento.

Quem é Miguel Sonza Tibulo

A imagem mostra Miguel na "academia da roça" que foi criada por ele mesmo
Arquivo pessoal

Com 13 anos de idade e morando no interior do Rio Grande do Sul, Miguel soma hoje 192 mil seguidores em um perfil no Instagram criado em 2025. São apenas 125 publicações, mas os números chamam atenção: os três vídeos mais recentes acumulam, juntos, quase um milhão de visualizações.

Nos destaques, ele organiza metas concluídas, reformas da chamada “academia da roça” e registros dos próprios treinos, sempre gravados em meio ao cenário rural que virou marca do perfil.

O treino antes da internet

Antes da internet entrar em cena, o treino já fazia parte da rotina. Miguel conta que se interessa por musculação há mais de dois anos, mas sem a ideia de gravar ou postar. A decisão de transformar isso em conteúdo veio no fim de abril de 2025, por iniciativa própria.

O primeiro vídeo, um supino simples, foi publicado quando o perfil ainda tinha menos de 50 seguidores. Segundo ele, o gesto de apertar “publicar” não teve peso especial. A expectativa era baixa, quase neutra.

O vídeo que viralizou

Mesmo assim, a noção de que aquilo poderia alcançar mais gente já existia. O que surpreendeu foi a velocidade. Um dos vídeos que realmente mudou o patamar do perfil mostrou um equipamento improvisado para treino de bíceps, feito com um galho de árvore e dois discos de semeadora.

Na gravação, Miguel dizia querer chegar a 100 seguidores. O resultado foi bem diferente: mais de 500 mil visualizações e um salto direto para 10 mil seguidores.

A origem da “academia da roça”

Miguel com um halter feito de concreto
Arquivo pessoal

A expressão “academia da roça” não nasceu como estratégia de branding. Surgiu naturalmente, ainda antes das gravações, quando Miguel começou a criar seus próprios aparelhos.

Hoje, o termo carrega um significado claro para quem acompanha o perfil. Ele define como um orgulho e como uma forma de mostrar que é possível manter um estilo de vida saudável mesmo sem muitos recursos, uma mensagem que encontra eco especialmente fora dos grandes centros urbanos.

Treino improvisado

A construção dos equipamentos é parte central de sua busca por uma vida mais saudável. Madeira, pedras, ferro e blocos de cimento viram pesos conforme o que aparece pela frente e se adapta aos aparelhos.

Mas nem tudo sai perfeito. Uma das histórias mais comentadas envolve uma polia de tríceps que fazia um chiado alto a cada repetição, som que lembrava, segundo ele, uma grande máquina industrial.

Outro momento marcante, registrado em vídeos antigos, foi quando derrubou um moedor de milho durante uma gravação e acabou quebrando a máquina, arrancando grandes risadas.

Apoio da família

Nos bastidores, o projeto ganha forma como um esforço coletivo. O pai, Adriano, está diretamente envolvido na construção dos equipamentos, ajudando a projetar cada aparelho, pensar quais grupamentos musculares serão trabalhados e também nas gravações.

A mãe, Juliana, participa com ideias, organização, compras de materiais necessários e apoio na produção de conteúdo.

Já o irmão, Jonas, atua mais focado nas redes sociais, auxiliando na criação de ideias, no controle do perfil e no contato com marcas.

Miguel diz que esse apoio sempre existiu e que a presença da família é constante, mesmo quando nem todos aparecem nos vídeos, algo que os seguidores acabam percebendo na consistência do conteúdo.

Crescer com estrutura e responsabilidade

Miguel treinando na academia da roça
Arquivo pessoal

Em um ambiente digital que frequentemente expõe jovens criadores a pressões precoces, a atuação da família como base aparece como um dos elementos centrais dessa trajetória.

Mais do que autorizar gravações, o envolvimento direto em diferentes frentes funciona como uma forma de acompanhamento e proteção para que o projeto cresça de maneira organizada.

Ao dividir responsabilidades e acreditar no potencial do filho, a família ajuda a transformar a influência em algo estruturado, conectado a valores que vão além dos números, característica que muitos seguidores reconhecem e valorizam.

Parcerias e desafios

O crescimento do jovem nas redes sociais abriu portas para conexões fora da roça. O primeiro desafio com outro influenciador foi com o Carlos Suassuna (@vovomarombaa), após uma mensagem direta enviada por Miguel e pelo irmão.

Com o crescimento repentino do perfil, ele relata receber mensagens diárias de pessoas que dizem ter começado a treinar inspiradas pelos vídeos.

Fama na adolescência

Arquivo pessoal

Apesar da pouca idade e da visibilidade crescente, Miguel diz lidar com a internet de forma tranquila. Os amigos da escola acompanham os conteúdos e reagem de forma positiva. Comentários negativos, quando aparecem, são filtrados com ajuda da família. Para ele, críticas construtivas são bem-vindas, o resto fica de lado.

Disciplina como origem

Por trás da disciplina, existe também uma motivação pessoal. Miguel conta que começou a treinar depois de pegar dengue e perder cerca de oito quilos. Sentia-se fraco e precisava sair daquele estado.

Hoje, a “academia da roça” cresce como projeto, conteúdo e identidade, conectando uma rotina simples a uma audiência que enxerga ali algo raro nas redes: constância, proximidade, simplicidade e motivação sem artifícios.

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