Fazer conteúdo dá trabalho. Mesmo quando parece leve, divertido ou espontâneo. Por isso, quando uma campanha é entregue e o pagamento não aparece, o problema deixa de ser pontual e passa a afetar toda a rotina de quem vive da internet.
Nos últimos dias, esse assunto ganhou força depois que Gustavo Catunda e Robert Rosselló, do perfil @2dePais, relataram que valores altos de trabalhos já realizados não chegaram até eles. Segundo o casal, as marcas pagaram, mas o dinheiro não foi repassado.
A agência envolvida atuava como intermediária. Recebia das marcas, organizava contratos e fazia os repasses aos criadores. Um modelo comum no mercado. O problema, de acordo com os relatos, começou quando os repasses pararam, mesmo com novos trabalhos sendo feitos.
Ao conferir pagamentos e movimentações, Gustavo e Robert afirmam que a agência recebeu centenas de milhares de reais em poucos meses. Parte desse valor, segundo eles, deveria ter sido repassada ao casal. Somando campanhas pendentes, o prejuízo estimado passa de meio milhão de reais.
Outros influenciadores também passaram a relatar situações parecidas com a mesma empresa. Alguns falam em valores menores do que o combinado. Outros dizem que precisaram sair da agência ou buscar ajuda para receber por trabalhos já entregues. Em comum, todos descrevem frustração e insegurança.
A agência afirmou, em nota, que está ciente das acusações, que apura os fatos internamente e que sempre atuou com transparência. Disse ainda que tomará providências caso identifique irregularidades.
O caso chama atenção para algo que nem sempre aparece nas redes: grande parte da carreira de um influenciador acontece fora da câmera. É ali que estão contratos, pagamentos e decisões que sustentam o trabalho. Quando esse bastidor falha, o impacto é direto.
Não se trata apenas de números. É sobre planejamento, confiança e continuidade. Para quem cria conteúdo, receber pelo que fez não é detalhe. É o que mantém tudo funcionando.
Situações como essa não são raras, mas só ganham visibilidade quando chegam ao limite. E, quando chegam, deixam um alerta claro para o mercado.




