Por Clara Barreto
Uma curiosidade dos bastidores da franquia Sexta-Feira 13 voltou a ganhar grande repercussão na internet nos últimos dias, após um post viral nas redes sociais resgatar um episódio pouco conhecido envolvendo Kane Hodder, intérprete do icônico vilão Jason Voorhees em quatro filmes da saga.
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O conteúdo, amplamente compartilhado no Instagram e em outras plataformas, relata que Hodder se recusou a gravar uma cena em que Jason machucaria um cachorro. A história, além de curiosa por si só, ganhou novo fôlego em meio às conversas em torno do chamado “caso do cão Orelha”, episódio recente que mobilizou centenas de pessoas após denúncias de maus-tratos a animais.
@patiofthedead Ator que interpretou Jason recusou gravar cena em que chut4v4 um cachorro 👀 #filmesdeterror #terror #slasher #tiktokmefezassistir ♬ original sound – Pati
A declaração do ator, confirmada em entrevistas antigas, passou a ser usada como contraponto nas redes sociais, simbolizando uma linha ética que até um personagem fictício poderia respeitar, mesmo no contexto de um vilão brutal. Segundo relatos de Hodder, a cena original do roteiro previa que Jason agredisse um cachorro — algo que ele se recusou categoricamente a gravar.
Para o ator, apesar de o personagem ser retratado como extremamente violento contra humanos, ferir um animal seria uma crueldade desnecessária, sem contribuição dramática para a narrativa.
“Acho que até Jason tem seus limites”, disse Hodder em entrevistas sobre o episódio.
“Crueldade gratuita contra animais não faz parte da construção do personagem.”
A produção acatou o pedido do ator e optou por substituir a cena por outra envolvendo um rádio, decisão que, à época, foi elogiada por fãs por manter a intensidade do filme sem ultrapassar certos limites de violência.
O post que resgatou a história acumulou dezenas de milhares de curtidas, compartilhamentos e comentários, impulsionado pela proximidade com o debate público reacendido nas redes após o “caso Orelha”. Usuários destacaram a atitude de Hodder como exemplo de sensibilidade e responsabilidade, dando ao episódio um novo significado para além da nostalgia cinematográfica.
Especialistas em comportamento digital e cultura pop explicam que conteúdos que unem curiosidades de filmes populares a debates sociais em alta tendem a viralizar, pois permitem que o público estabeleça uma conexão emocional com o tema.
Além da curiosidade, a repercussão levanta uma reflexão mais ampla sobre como decisões tomadas nos bastidores podem moldar a percepção de personagens e franquias inteiras. Dentro do gênero do terror, em que exagero e violência são recursos narrativos recorrentes, a recusa de Hodder em gravar a cena evidencia que limites criativos também podem refletir valores pessoais dos intérpretes — e que isso ressoa com parte do público, mesmo décadas depois.
Assim, a história deixa de ser apenas um “fato curioso” e se transforma em um lembrete de que, nas artes e na vida, diferentes formas de violência produzem impactos distintos no imaginário coletivo, e que escolhas éticas podem ecoar por anos no repertório cultural das pessoas.




