terça-feira, março 3, 2026

Lei 15.325/26: os impactos da regulamentação da profissão multimídia

Nova legislação busca valorizar profissionais do setor digital, mas levanta críticas sobre precarização e sobreposição de funções no mercado da comunicação

Leitura obrigatória

Lucas Lissa
Lucas Lissa
Formado em Jornalismo pelo Centro Universitário FMU | FIAM–FAAM e pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela Universidade de São Paulo, Lucas Lissa transita com naturalidade entre diferentes linguagens do campo comunicacional.Sua trajetória inclui passagens por assessoria de imprensa, jornal impresso, rádio, revista, portais de notícias e gestão de mídias sociais, experiências que moldaram sua escrita analítica e seu olhar atento às transformações da cultura e do comportamento digital.Com interesse particular na construção de narrativas contemporâneas e na mediação entre informação e público, atua na produção de conteúdo com foco em clareza, profundidade e relevância editorial.

A Lei nº 15.325, de 2026, reconhece oficialmente a profissão de multimídia no Brasil. Sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 7 de janeiro, a norma define atribuições de profissionais de nível técnico e superior que atuam na produção de conteúdos digitais, com o objetivo de ampliar a segurança trabalhista e social no setor.

Entre as atividades previstas estão criação, produção, captação, edição, planejamento, gestão, organização, programação, publicação, disseminação e distribuição de conteúdos em formatos de som, imagem, animação, vídeo e texto, voltados às mídias eletrônicas e digitais de comunicação e entretenimento.

Apesar do objetivo de organizar o mercado, a regulamentação tem provocado debates entre entidades representativas. Para a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), a lei pode fragilizar profissionais do jornalismo e do radialismo ao permitir que trabalhadores multimídia acumulem funções tradicionalmente vinculadas a essas categorias.

Segundo a entidade, a medida pode gerar invasão de atribuições, flexibilização excessiva de contratos e aumento da disputa no mercado digital.

A nova lei pode invadir atribuições do jornalismo, criando um profissional ‘multiuso’ que, em alguns contextos, pode ser utilizado para precarizar a contratação de jornalistas formados”, afirma nota divulgada por entidades sindicais, como a Sinjorba.

Por outro lado, defensores da proposta argumentam que a regulamentação oferece maior segurança jurídica e reconhece a complexidade das novas formas de produção de conteúdo. O relator do projeto, senador Alan Rick (União-AC), afirmou que a lei representa “a criação de um marco legal que organiza o mercado e valoriza profissionais cuja atuação integra comunicação, tecnologia, criatividade e gestão de conteúdos digitais”.

Para especialistas, o impacto da legislação dependerá da forma como será aplicada na prática. O desafio será garantir direitos trabalhistas sem estimular a substituição de profissionais qualificados por modelos mais precários de contratação.

Nesse cenário, a Lei 15.325/26 inaugura uma nova etapa para o setor multimídia, ao mesmo tempo em que impõe o debate sobre limites, responsabilidades e valorização profissional no ambiente digital.

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