O chamado “Brainroot” tem ganhado espaço nas redes sociais como um conteúdo viral marcado por vídeos curtos, humor caótico e personagens absurdos criados com ajuda de inteligência artificial. O termo ganhou notoriedade justamente por representar o impacto do consumo constante de entretenimento rápido e de baixa complexidade, algo cada vez mais comum em feeds dominados por vídeos curtos e virais.
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O fenômeno ganhou força nas redes sociais a partir da popularização de memes e vídeos curtos marcados pelo humor absurdo e pela estética caótica. Embora a expressão tenha raízes antigas, aparecendo pela primeira vez em 1854 no livro Walden, de Henry David Thoreau, o conceito foi resgatado na internet para descrever conteúdos virais considerados superficiais ou repetitivos.
O termo passou a circular com mais força a partir dos anos 2000 e ganhou nova dimensão nas redes sociais nos últimos anos. Em plataformas como TikTok e Instagram, o estilo se consolidou com vídeos rápidos, memes sem lógica aparente e personagens criados por inteligência artificial, que viralizam justamente pelo caráter exagerado e caótico.
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Apesar do tom humorístico e aparentemente inofensivo, o consumo constante desse tipo de conteúdo também tem levantado debates sobre possíveis impactos no comportamento digital. A lógica acelerada, com estímulos rápidos e pouco aprofundamento, pode contribuir para a dificuldade de concentração e para a busca contínua por entretenimento imediato nas redes sociais.
A doutora Soraya Luna, psicanalista clínica e educadora em saúde mental, explica que o consumo contínuo de conteúdos rápidos pode afetar a atenção, a aprendizagem e o desenvolvimento cognitivo, especialmente entre crianças e adolescentes, em função da sobrecarga cognitiva. Isso ocorre porque o cérebro passa a processar um volume de informações acima de sua capacidade funcional saudável, o que pode gerar fadiga mental e aumento da impulsividade.
Ela também afirma que o cérebro da criança está em constante desenvolvimento, principalmente nas áreas destinadas à atenção, ao autocontrole e à regulação emocional. “ A interação humana, o brincar e a exploração do mundo real é parte fundamental nesse processo. As telas, quando usadas em excesso, podem ocupar o espaço dessas atividades essenciais, prejudicando o desenvolvimento de habilidades sociais, emocionais e cognitivas”, explica a doutora.
De acordo com Soraya os principais riscos imediatos do consumo deste conteúdo são: maior dificuldade de concentração, menor tolerância à frustração, dificuldades na regulação emocional e dificuldades na regulação emocional.
Já a longo prazo, os riscos podem ser: redução da capacidade de atenção prolongada, dificuldade em realizar tarefas que exigem esforço mental contínuo, menor profundidade no processamento das informações e aumento da vulnerabilidade a quadros de ansiedade.
A psicanalista afirma que o aprendizado é algo que exige tempo e reflexão, para que a informação possa se consolidar. Pois quando o cérebro é repetidamente interrompido por contínuos estímulos, não há um tempo adequado para organizar e compreender o que foi aprendido. “ Alguns pesquisadores discutem que o excesso de estímulos digitais rápidos pode influenciar não apenas a atenção, mas também a qualidade do pensamento crítico e a aprendizagem”, explica.
Soraya expõe que para reduzir os impactos do brain root, é preciso adotar um uso mais consciente da tecnologia e começar um processo de reeducação digital e fortalecimento da saúde cognitiva. Entre as principais medidas estão o estabelecimento de limites para o tempo em redes sociais, a criação de períodos offline e a diminuição do consumo passivo de conteúdo.
A psicanalista também recomenda o incentivo a atividades que estimulem a concentração e o pensamento crítico, como leitura, escrita, interação social e exercícios físicos. A combinação dessas práticas contribui para o equilíbrio cognitivo e para uma relação mais saudável com o ambiente digital.




